André Venda, ficou paraplégico há 16 anos. Hoje continua a ser um exemplo de persistência e luta pelos direitos do desporto adaptado

Aos 20 anos, o destino trocou-lhe as voltas, um acidente de viação deixou-o numa cadeira de rodas. Não se acomodou, lutou e criou a Associação Portuguesa de Ciclismo Adaptado. Até 2016, foi atleta de alta competição na modalidade de handcycling. Foi obrigado a parar, mas o desporto continua na sua vida e não desiste de ajudar quem com ele partilha a mesma realidade. Tem ainda o sonho de ser pai.

MZL - André que recordações tem da sua infância e adolescência?

AV - Tenho muitas mesmo... foi graças a todas as memórias e vivências que me tornei na pessoa que sou hoje, com experiências valiosas e grandes lições. Lembro-me de passar as tardes a brincar com a minha prima, onde um pau e uma pedra serviam de brinquedo, explorando as serras de Aire e Candeeiros, que eram o nosso quintal. Explorávamos aqueles algares, entrando em salas com estalagmites e estalactites que até hoje não foram explorados por mais ninguém. Ao mesmo tempo, cuidávamos dos animais do meu avô... conforme fui crescendo, comecei a dar mais valor a cada conquista, como ter um brinquedo novo (um moinho feito de cana seca) ou ganhar a minha primeira bicicleta.

MZL - Como se define com todo esse crescimento?

AV - Sou alguém que procura a simplicidade da vida e que gosta de se rodear de pessoas com valores semelhantes aos meus. Destaco dois valores que considero essenciais em todas as pessoas que me rodeiam: a capacidade de expressar amor e o hábito de pedir desculpa.

MZL - Mas aos 20 anos tudo mudou?

AV - Verdade. Aos 20 anos, a minha vida passou por uma grande mudança devido a um acidente de viação que me deixou em cadeira de rodas. Foi uma experiência desafiadora e impactante, que me fez repensar toda a minha vida de uma forma muito ingénua, pois ainda era muito novo e não tinha noção de como funciona o mundo que me rodeia.

MZL - Quem continuam a ser as suas inspirações?

AV - As minhas inspirações variam de ano para ano, mas partem sempre do mesmo princípio que é passar por algum processo de superação, resiliência ou determinação, o que de alguma forma acaba por me motivar a fazer algo.

“O handbike ou handcycle, é uma bicicleta adaptada para ser pedalada com as mãos, sentado ou deitado.”

MZL - Do seu ponto de vista como é visto o desporto adaptado em Portugal?

AV - O desporto adaptado em Portugal tem vindo a mudar de forma positiva, embora ainda haja muito a fazer. Esta mudança é resultado das iniciativas dos atletas e das associações de desporto adaptado. Além disso, as empresas têm vindo a dar mais apoio financeiro e a criar campanhas para tornar mais comum a presença de atletas portadores de deficiência nos eventos desportivos

MZL - Não sendo um caminho fácil, aventurou-se com a criação da APCA – Associação Portuguesa de Ciclismo Adaptado. Objetivos?

AV - Foi graças a uma aventura que fizemos até ao Algarve que as coisas começaram a acontecer. Recebemos muitas propostas, mas uma delas fez-nos avançar com a criação de uma associação…

“Há uma sensação de triunfo interior que não sei bem explicar. Além de ter conquistado sucesso competitivo, o ciclismo adaptado também me proporcionou amizades únicas.”

(…)

Anterior
Anterior

É urgente despertar

Próximo
Próximo

Concentração e consciência é o caminho