Despertar a consciência participativa
Assistimos por um lado, a grandes alterações climáticas e ambientais, a um pré-desmoronamento dos sistemas económicos, ao esgotamento de recursos e extinção em massa de espécies, a conflitos sociais generalizados e guerras, a fluxos migratórios crescentes movidos pela sobrevivência e a uma sociedade cada vez mais polarizada.
Mas também não ignoramos o avanço da ciência e da tecnologia ao serviço dos cidadãos, a emergência de novos sistemas de produção sustentável (nas áreas energética, agrícola, económica, social), a proliferação de novos modelos de educação mais integradores e a novas formas comunitárias de interajuda, entre muitos outros. É absolutamente imprescindível compreender esta rutura civilizacional que todos estamos a viver à escala planetária. É também crucial assimilar que sobre cada um de nós impende agora, mais do que nunca, Consciência, Responsabilidade e Ação nesta fase de transição. E consciência implica informação e escolha. Sem tomada de decisão e ação, a consciência é incompleta... é necessário largar o estado larvar da passividade para o estado soberano da ação.
A questão é – que ação?
Podemos de facto escolher manter a adesão à sociedade da indiferença e da apatia, que paralisa, sentindo que os “problemas”dos outros não são nossos. Que nada podemos fazer perante aparentes cataclismos mundiais adaptando a cultura de alienação que parece caracterizar uma boa franja da população auto considerada “desenvolvida”, que se propõe manter o aumento do consumo a qualquer preço. Ou podemos escolher ser e fazer de forma diferente.
Quem não muda de rumo quando constata que segue pelo caminho que não o conduz ao seu objetivo? Quem não procura o apoio do grupo quando tudo parece colapsar?
É urgente compreender que este é o “tal” momento de clivagem de paradigma que se impunha na atual história da humanidade. É um período decisivo em que o ser humano é chamado a intervir, numa base individual ou coletiva, mas participativa.
E ninguém pode ficar de fora! Todos têm voz e cada um tem um papel funda- mental a desempenhar: os anciãos com a sua sabedoria, os jovens com a sua esperança e procura incessante, os adultos enquanto decisores e interventores, os cientistas e os artesãos com conhecimentos novos e tradicionais (ancestrais) que precisam aprender a conciliar, e por aí fora. Esta é uma nova Revolução - Fundamentalmente Cultural - antecedendo uma nova Era: depois da do Fogo, da Agrária, da Industrial e da Comunicação, estão abertos os portais para a Era da Consciência Humana.
Precisamos de aprender a equilibrar a cultura do “Business as usual” (J. Macey & C. Johnstone, 2012) – que preconiza o crescimento económico como reduto essencial para a prosperidade (e que afinal a história tem demonstrado que apenas beneficia ínfimos segmentos da população) – com a cultura do“Nature as always” (I. Gonçalves, 2020) para fomentar o bem estar entre todos.
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