Mindfulness à mesa, saiba como agir
Alimentação consciente pode mudar sua relação com a comida.
São cerca de 200 o número médio de decisões alimentares que tomamos por dia. Café? Com ou sem leite? Açúcar, adoçante ou simples? Pão? Com ou sem manteiga? Com queijo, fiambre ou misto? Iogurte? Mas qual? Natural, de aromas, de pedaços, grego, proteico? Simples ou com cereais, granola, fruta? E assim continua até ao fim da refeição, seja ela qual for.
Quantas destas decisões são automáticas - ou seja, quantas decisões tomamos sem perceber, sem tomar consciência? Muitas… e cada uma delas tem um impacto significativo na nossa saúde e bem-estar. Por isso, não admira que muitas vezes sintamos que é demais e que acabemos por “fazer escolhas” menos saudáveis. É neste contexto, de piloto automático, que faz sentido introduzir a alimentação consciente, uma prática que nos ensina a prestar atenção ao que comemos, usando os nossos sentidos para transformar a experiência de comer.
Alimentação consciente
Jean Kristeller, em The Joy of Half a Cookie, obra que se baseia no programa de investigação MB-EAT que vem desenvolvendo com outros colegas há mais de 30 anos, define a alimentação consciente como uma abordagem que procura reconfigurar a relação com a comida. Não dependente da força de vontade ou do controlo rígido, mas sim de uma filosofia de vida que enfatiza o autocuidado e a autorregulação. Não é uma luta para parar de comer, é uma escolha consciente baseada no conhecimento do nosso corpo e dos sinais que ele nos dá.
A evidência científica e os inúmeros estudos feitos sobre alimentação consciente sustentam a validade desta abordagem. Esta prática pode contribuir para a redução do stress alimentar, melhor gestão do peso e até melhoria de níveis de glicose no sangue. Alguns estudos também sugerem que pode ser uma abordagem complementar eficaz na prevenção e tratamento de perturbações alimentares, como a perturbação de ingestão compulsiva.
A prática de uma alimentação consciente assenta na meditação de atenção plena, Mindfulness, na capacidade de sintonizar a nossa “sabedoria interior” e numa valorização positiva da comida.
Dietas tendência. Sim ou não?
Quando adotamos regras generalizadas sobre nutrição ou sobre a nossa alimentação, sem ter em conta o conhecimento importante que temos sobre o nosso corpo e mente, estamos a deitar fora informação preciosa. Podemos e devemos usar todo o conhecimento disponível sobre nutrição e alimentação saudável para informar as nossas escolhas. Decidir com conhecimento sobre que tipo e quantidade de alimentos queremos consumir para perder, ganhar ou gerir o peso ou ter uma boa saúde física e mental.
É fundamental deixar cair a vilificação dos alimentos: “o que eu posso comer” versus “o que eu não posso comer”. Alimentos são simplesmente isso, alimentos. Alguns gostamos mais, outros nem por isso, alguns são mais nutritivos, outros nem tanto. As calorias também contam, mas temos mesmo de contá-las? Será mais importante perceber o que é um bom equilíbrio entre o que comemos e o que o nosso corpo precisa e termos a flexibilidade de ajustar?
Alimentação consciente é, no fundo, a conjugação destas competências de sabedoria interior e exterior para melhorar a nossa relação com a comida, para nos permitirmos apreciar as comidas que mais gostamos e para encontrar um caminho para a nossa saúde e bem-estar, idealmente com menos ansiedade e stress ao longo do tempo.
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